No âmbito do nosso projecto, realizámos no dia 29 de Fevereiro uma entrevista a uma professora que leccionou Psicologia, com o intuito de recolher mais informação acerca do tema. Segundo esta a relação entre pais e filhos tem vindo a mudar ao longo dos tempos, e para que as relações sejam saudáveis, os filhos devem desempenhar um bom papel no seio da família.
Entrevista:
1. Na sua opinião a relação entre os pais e os filhos tem vindo a mudar nos últimos tempos? (Positivamente ou negativamente? Na sua opinião quais os factores dessa mudança?)
Olhem é assim, eu acho que tem vindo a mudar, não podemos avaliar se é para bem ou é para mal, porque tem a ver com todas as circunstancias e contextos sociais e que influenciam naturalmente a relação entre os pais e os filhos. Não posso dizer nenhum factor em especial, ate porque é um fenómeno complexo, mas que têm vindo a mudar têm. Ate porque as gerações de hoje perpetuam essa relação de forma diferente.
2. O que acha fundamental para uma boa relação entre os pais e os filhos?
O que é mais fundamental entre os pais e os filhos é a ligação emocional/ afectiva, a partir dai, todas as outras resultam, porque o problema hoje entre os pais, os adultos e os jovens é precisamente a falta de tempo para partilhar os sonhos.
3. Quais as principais razões, que mais contribuem para o desentendimento entre os pais e os filhos?
O facilitismo com que os pais encaram as relações com os filhos e depois um bocadinho a tentativa dos filhos tirarem partido desse facilitismo, porque é natural que os pais que cedem frequentemente por diversas razões, nem se apercebendo, estão a criar nos filhos alguns hábitos que os desresponsabilizam da sua própria vida.
4. Como devem os pais exercer a sua autoridade para com os filhos?
Fazendo-os assumir a responsabilidade dos seus actos, responsabilizando-os, sobretudo atribuindo-lhes funções e cargos dentro da família, responsabilidade dentro da família, papeis dentro da família que são fundamentais.
5. Qual é a melhor conduta que os pais devem optar na relação com os filhos?
Olhem! Na minha perspectiva a melhor conduta (quer dizer não há modelo, nem há receitas) terá sempre a ver com o pai que é sempre pai, e não achar que ser amigo equivale a desresponsabilizar-se e a não exercer a autoridade (não é ser autoritário é exercer a autoridade).
6. Qual o grau de liberdade relativamente a: saídas com os amigos, romances, sexualidade, etc. que os pais devem dar aos filhos (horas de chegada a casa, escolhas de amigos, etc.)?
Isso é sempre tudo muito relativo, mas é assim, horas de chegada, horas de saída tem a ver com as regras do ambiente familiar, se a família tem regras, estas têm de ser cumpridas, então têm de obedecer, e eu acho muito bem que haja regras e que os filhos saibam quais são as regras, com as quais podem contar e que têm de cumprir. Em relação à sexualidade, em relação ao desenvolvimento os pais têm que acompanhar exactamente o desenvolvimento dos filhos com alguma maturidade e perceberem que os filhos estão a crescer, não são crianças a vida toda.
7. Considera que a opinião dos filhos é importante para os pais? E vice-versa? Justifique.
Muito, fundamental, acho que os pais devem ouvir os filhos, nas questões até familiares, naquelas em que os filhos têm uma palavra a dizer, não digo naquelas que não lhes dizem respeito, mas que os pais devem ouvir os filhos e os filhos naturalmente devem ouvir os pais, embora os filhos achem que os pais não os compreendem. Mas os filhos sentem uma necessidade imensa, imensa, imensa, que os pais se preocupem com eles, embora não assumam, porque sobretudo na adolescência os jovens têm alguma dificuldade em assumir que se possam meter na vida deles, mas inconscientemente eles gostam muito, porque é uma forma de preocupação, saber que têm uma rede protectora.
8. Qual será a melhor conduta que os filhos devem tomar na relação com os pais?
É o respeito, é a afectividade, que eu acho que deve estar sempre presente, e sobretudo o dialogo, perceber que os pais são as pessoas que mais gostam deles, e que por muito que as vezes lhe custe partilhar determinadas coisas (apesar de haver coisas que não se podem partilhar), mas no geral conversar com os pais em relação a toda a sua vida, a tudo que lhes vai acontecendo.
9. Que conselhos daria aos pais/filhos para melhorarem a sua relação?
Que conversem mais, que tenham mais tempo disponível, mais tempo útil, que é o que se chama tempo de qualidade. O tempo de qualidade é estar efectivamente uns com os outros e sentir que estamos próximos e que nos preocupamos uns com os outros. Porque as vezes até podemos estar muito tempo, e nenhum desse tempo ser de qualidade. Portanto devemos preocupar-nos com os outros, no sentido de darmos aos outros, aquilo que nós sentimos que temos necessidade de receber deles.